Sexta, 23 de Abril de 2021
33 999 509 609
Saúde Saúde

Presença de vírus da covid-19 em esgotos ajuda a mapear infectados

Fiocruz publicou pesquisa feita na rede de esgoto de Niterói, no Rio, que mostrou presença do vírus em mais 84% das amostras

03/03/2021 02h10 Atualizada há 2 meses
147
Por: Redação Fonte: R7
Pesquisadores coletaram amostras em duas estações de esgoto de Niterói - (Foto: Josué Damacena/Divulgação Agência Fiocruz)
Pesquisadores coletaram amostras em duas estações de esgoto de Niterói - (Foto: Josué Damacena/Divulgação Agência Fiocruz)

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) divulgou os primeiros resultados de um estudo feito no esgoto de Niterói, no Rio de Janeiro, com o objetivo de mapear a propagação do SARS-CoV-2. Foram usadas 400 amostras. Mas, por enquanto, os resultados apresentados foram de 233 amostras coletadas entre abril e agosto de 2020. A pesquisa destectou a presença do vírus da covid-19 em 84,3% do material recolhido.

O estudo foi publicado na revista científica Water Research, na segunda-feira (1º), uma das principais publicações no campo da ciência e tecnologia da água, e foi feito em parceria com a Prefeitura de Niterói e a concessionária Águas de Niterói.

A pesquisa usou como base evidências científicas de que o novo coronavírus é eliminado pelas fezes das pessoas infectadas e, com isso, há a presença do vírus no esgoto. Os especialistas analisaram a quantidade de material genético viral presente das amostras e em quais bairros eles foram encontrados. Assim, foi possível mapear e caracterizar a transmissão da doença nas diferentes regiões da cidade.

"Conseguimos implantar o projeto no começo da pandemia e observamos que a metodologia é capaz de apontar a dispersão do vírus no ambiente, contribuindo para subsidiar as estratégias de enfrentamento das autoridades de saúde", afirmou Marize Pereira Miagostovich, chefe do Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) à agência Fiocruz.

A pesquisa

De abril a setembro, foram feitas coletas semanais em duas estações de tratamento de esgoto e dez outros pontos da rede. Os pontos foram definidos pela Secretaria de Saúde de Niterói e se concentraram nas regiões mais populosas e com mais vulnerabilidade da cidade.

Os resultados refletiram a evolução da pandemia no município. Em abril, 42% das amostras detectaram a presença do Sars-CoV-2. Já de maio a junho, período do primeiro pico no Brasil, as taxas ficaram em 90% e chegaram aos 100% em algumas semanas. Em julho, o índice caiu e atingiu a 50% no começo do agosto.

Porém, veio o relaxamento das medidas de distanciamento social e, já na última semana de agosto, o vírus foi encontrado em 75% das amostras.

A pesquisa voltou a detectar o Sars-CoV-2 entre 90% e 100% das amostras em novembro e dezembro do ano passado. Mas, nesse período, o número de internações e morte caíram na cidade. O contrato entre a Fiocruz e a Prefeitura de Niterói vai até o fim deste mês.

“A presença do vírus nas amostras aponta que ele está circulando na população. Mas a vigilância do esgoto deve ser sempre considerada como um indicador complementar, junto com outros dados relacionados à doença”, explicou Marize.

Em janeiro, a concentração de vírus no esgoto abaixou. Mesmo assim, ainda foi encontrado em 80% a 90% dos pontos pesquisados.

Facilita políticas públicas

A Secretaria de Saúde de Niterói acompanhou de perto os resultados da pesquisa e usou os dados para tentar conter a propagação da doença.

Na segunda semana do monitoramento, o vírus foi detectado em tubulações de esgoto de uma região onde não havia registro oficial de doentes. A partir daí, equipes do Programa de Saúde da Família, do SUS, buscaram os possíveis infectados, identificando pessoas com sintomas e testando os moradores do local.

Sequenciamento genético

Além de detectar a propagação da doença, os pesquisadores da Fiocruz conseguiram fazer o sequenciamento genético de quatro amostras coletadas e foi encontrado a cepa B, a mais comum no Brasil até a chegada da mutação do Amazonas.

A pesquisadora afirmou que o laboratório pretende fazer sequenciamento genético das amostras coletadas a partir de dezembro. “Continuamos com o monitoramento e pretendemos realizar novos sequenciamentos genéticos, por exemplo, para monitorar a circulação de variantes virais e o reflexo da vacinação.”

De acordo com os últimos dados divulgados pela Prefeitura de Niterói, 832 pessoas morreram e 29.352 foram infectadas pela covid-19, até 28 de fevereiro. 

Nenhum comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Ele1 - Criar site de notícias